Imagens melancólicas do datiloscrito esquecido: um inédito de Jorge Amado

Cristiano Mello Oliveira, Joe José Dias, Tânia Regina de Oliveira

Resumo


No ano de 2011, a professora Leonor Scliar Cabral (UFSC) doou uma mala de documentos que pertencia ao escritor baiano Jorge Amado. A mala de documentos pertenceu à mãe da pesquisadora, cujo material foi fruto de sua amizade mantida com Jorge Amado durante o curto período político do Estado Novo, nos anos de 1941 a 1942, nas cidades de Buenos Aires e Montevidéu. Tais datiloscritos revelam a memória arquivista do autor baiano, elucidando a dimensão do processo histórico-ficcional existente nos seus primeiros romances, possibilitando ao investigador interessado saber os percalços genéticos e contextuais da sua produção. Durante visita ao Núcleo de Literatura e Memória, sediado na Universidade Federal de Santa Catarina, coordenado pela professora Dra. Tânia Regina Oliveira Ramos, tivemos acesso ao conteúdo desses materiais que foram disponibilizados aos participantes de sua disciplina: A historiografia da literatura brasileira. O presente artigo esboça de forma elucidativa a publicação escrita por Jorge Amado, referendando saudosamente a morte abrupta do escritor austríaco Stefan Zweig, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Durante a escritura dessa publicação, Amado reforça a perda que o autor do clássico Brasil, um país do futuro, faria na cultura nacional, evidenciando a bagagem erudita deixada pelo autor. Como lastro teórico, dialogaremos com alguns autores, cada qual ao seu modo, que trabalham a importância dos arquivos e das fontes primárias: Cunha (2003); Willemart (1999); Farge (2009); entre outros necessários. A contribuição desse artigo visa deixar alguns resultados sobre a colaboração de Jorge Amado nos jornais de época


Palavras-chave


Jorge Amado; (auto) exílio; Fontes primárias; Arquivo; Stefan Zweig; Literatura Brasileira

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